Assim que você se torna pai diversas preocupações aparecem na nossa cabeça. Será que a criança vai desenvolver a coordenação motora direito? Será que vai ter algum problema de fala? Será que enxerga bem? E essas perguntas são só as mais racionais — pais não são nada racionais e viajam num mundo com 7 mil vezes mais perigos do que o nosso.
Mas uma preocupação bastante frequente e que, na minha cabeça e de muita gente, não faz sentido é a relação dos brinquedos com a sexualidade da criança. Na melhor — ou pior? – linha de pensamento “azul é para menino e rosa para menina”, os pais acreditam que garotos não podem nem tocar numa boneca e meninas não são permitidas nas brincadeiras de carrinho.
Calma, vamos tentar entender. Primeiro de tudo, rosa e azul nem sempre foram cores de garotas e garotos, respectivamente. Na década de 1910, por exemplo, rosa era cor de macho. Isso mesmo. Na época as pessoas acreditavam que a dramaticidade e força do rosa eram a cara do homem.
Isso quer dizer que seu avô ou bisavô passou a infância vestido em cor de rosa. Isso mudou alguma coisa na forma dele se relacionar com o mundo ou em sua orientação sexual? Não. E, sim, existiam gays naqueles tempos.
Na última semana uma imagem que discutia o assunto dos brinquedos fez sucesso no Facebook. Olha só:
A explicação faz sentido e as imagens, de meninos e meninas brincando com o mesmo tipo de brinquedo, também. Muitas escolas brasileiras já adotam a postura de não reprimir a escolha da criança na hora da brincadeira e o resultado são crianças menos frustradas e inseguras.
Homens têm filhos, portanto não há problema em brincar de boneca, assim como arrumam a casa, passam roupa, cozinham e levam o cachorro para passear. Por outro lado, mulheres dirigem, fazem consertos e praticam esportes. Qual seria o problema de “treinar” tudo isso desde criança?
Na Suécia, uma empresa criou um catálogo de brinquedos sem distinção de gênero. O mesmo ainda não acontece no Brasil, mas as coisas estão caminhando para receber essa transformação. E talvez seja ela o caminho para que serviços domésticos sejam mais bem divididos e o respeito entre os gêneros se fortaleça.
Hoje, uma das maiores dificuldades apontadas pelas mulheres na hora de explicar por que perdem toda aquela libido da época do namoro é a falta de divisão das tarefas domésticas. Que tal ajudar nossos filhos a terem uma vida mais feliz e sem amarras?